O cachorro
A chuva caia lentamente e se ouvia os passos molhados e apressados das pessoas nas ruas. Tantas vidas, tantas historias... Eram olhos famintos, cheios de ganância, ódio, raiva. Eram olhos tristes, melancólicos, depressivos.
Os carros passavam nas ruas seguindo a mesma rotina varias e varias vezes. Até que um cachorro tenta atravessar no farol aberto e um motorista o atropela. Pronto, uma vida é tirada por uma desatenção do motorista que estava discutindo consigo mesmo se devia ou não comprar flores para sua namorada.
O cachorro, todo machucado, fica em busca de alguém para socorrê-lo. Ele late, chora e as pessoas, que seguem com os seus passos molhados e apressados pela chuva, o ignoram, pois sabem que se forem ajudá-lo, é capaz de outro motorista desatendo os atropelar.
E assim, a vida continuava.
Todos os dias, as lojas abriam as oito da manha, os funcionários chegavam, organizavam as tarefas do dia, o chefe ligava para a filial da sua multinacional, a faxineira varria o hall de entrada e o segurança vigiava. Vigiava o bêbado que passava em frente à loja e que cobiçava perdidamente aquele conversível que um dia ira ser seu, a se iria ser, mesmo que ele ficasse um dia sem tomar a sua pinga no bar.
Logo em frente às lojas, um menino saia de seu prédio para ir a escola. Sua mãe beijava-lhe no rosto e desejava-lhe um bom dia em quanto o pai, ia caminhar na praça para logo depois, voltar para casa, tomar seu banho, vestir o seu terno e ir trabalhar para trazer o tão merecido dinheiro que sustentava a sua família.
O menino atravessava o semáforo e ia caminhando por um lado só da avenida. Seus pensamentos voavam. Ele podia ficar horas e horas pensando sobre a vida, mas seus pensamentos, acabavam o afastando da realidade. Quando por um simples momento sua lucidez voltava, ele se decepcionava e muito com o que via: um catador de lixo procurando comida em uma lixeira laranja em quando duas meninas jogavam fora seu lanche com medo de engordar.
Quando era meio dia e o sol já estava brilhando fortemente no céu, o movimento nas ruas aumenta. Eram ônibus, carros, caminhões, motos, pessoas, cachorros, pombas e tudo parecia (e era) uma bagunça organizada. As pessoas atravessavam na faixa quando o farol estava vermelho, os ônibus paravam quando alguns passageiros esticavam o braço no ponto e as pombas comiam as migalhas dos pães das crianças que há esta hora, voltavam da escola e iam para suas casas.
Às três horas, a igreja do centro do bairro tocava o sino: era a hora da missa. Dezenas de velhinhas acompanhadas com seus crochês e tricôs iam se sentar nos bancos das igreja e ficavam durante uma hora ouvindo o novo padre bonitinho, que tinha acabado de se mudar para a paróquia, celebrar a missa. Quando este acabava a missa, ia direto para sua casa onde rezava mais e mais em busca de alcançar a tão cobiçada vida eterna.
Durante a tarde, o sol ia se ponde e deixava a cidade com um clima de conclusão. Todas as pessoas já tinham acabado as suas tarefas e iam agora para suas casas que podiam ser prédios, sobrados, casas terias, debaixo das pontes, barracos ou a´te mesmo papelão e iam contar para suas familias, para si mesmos ou para os amigos online como foi o dia. Alguns iriam falar que foi triste pois viram um cachorro atropelado e outros iam falar que sentiram culpa pois atropelaram um cachorro e não prestaram socorros.
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